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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2016

Absolute beginner

Hoje, desde muito cedo, tenho sido uma playlist de músicas de David Bowie. Primeiro veio o Major Tom, depois o Heroes, a China Girl..... Assim, sem mais nem menos, todas foram desfilando ao longo do dia. É uma sensação estranha. Como hei-de explicar? (sim, sinto necessidade de explicar) Desapareceu hoje, para sempre, um pedaço dos meus 20 anos, das saídas à noite, do Bairro Alto, da praia, das imperiais e dos vodka tónicos, das tardes de fim‑ de semana passadas na esplanada....... . ...... É uma sensação estranha. Porque é absolutamente nova


publicado por lindjona às 21:47

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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2015

Sopas decide morrer

A minha Sopas decidiu morrer. E quando ela decide uma coisa..... Morreu às 7.30 horas. No seu cestinho, aos pés da minha cama. Senti-lhe o último bater do coração. Antes disso sussurrou-me baixinho o poema de José Gomes Ferreira, Viver sempre também cansa. Deixo aqui o poema, certa de que a Sopas morreu só por um bocadinho e logo, logo, vai aparecer por aqui.

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publicado por lindjona às 13:29

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Terça-feira, 7 de Julho de 2015

Do jornalismo de Merda

Telejornal da RTP1.

Serviço público.

Jornalismo de sarjeta.

Abutres à "porta" da Grécia.

Pobres nas filas para uma sopa quente. São tantos.... Descreve a "jornalista". Aqui não se fala de referendo, nem  de credores. Continua a "jornalista", assim como se quisesse minimizar a importância brutal do resultado do último domingo.

No estúdio, José Rodrigues dos Santos ataca noutra frente. Hoje a Grécia exigiu dinheiro, mas, em contrapartida, apresentou uma mão cheia de nada. Diz ele, emitindo juízos de valor. Bastava trocar o "mas" por um "e" , não utilizar a palavra contrapartida, e não se armar em engraçadinho das metáforas. Não, não pode falar como quer. Enquanto jornalista, não pode.

 

Sim, também há pobres na Grécia. Muitos criados pelas políticas de austeridade dos últimos anos. Como em Portugal. 

A diferença? 

Estão pobres, mas têm dignidade. Estão dispostos a sofrer mais ainda, mas também a livrar-se de vez dos vampiros que os/nos sugam.

Sim, eu posso utilizar metáforas. 

image.jpg

 

 

 


publicado por lindjona às 21:21

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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015

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Decididamente estamos em vias de iniciar a terceira guerra mundial.

A Europa está à beira da desintegração.

Apesar das diferenças, já estou posicionada. Aliados, Tríplice entente. Como teria estado em 1914.

Em rota de colisão com os montes de esterco que nos governam. Os de cá e os de lá.

medo-2.gif

 

 


publicado por lindjona às 23:21

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Sábado, 11 de Outubro de 2014

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Autocarro.

Eu sentada num dos bancos.

Reparo num homem que se apoia numa bengala. Pernas com ligaduras. Reparo nele apenas pk alguém lhe ofereceu o lugar e ele recusou, agradecendo. Vai sair já na próxima paragem. E sai.

Regresso à semi consciência de quem viaja em tranporte público.

Lá do fundo da semi consciência, começo a ouvir alguém que fala ao telemóvel. É uma mulher. Ainda nova.

"Sim, ele saiu na paragem. Ó minha senhora, já lhe disse que o homem já não está no autocarro. Saiu na paragem. Deve estar lá ainda. Vocês deviam lá ir buscá-lo. Isto não pode ser. Ele tinhas as pernas todas inchadas. Ele tem ÉBOLA."

Todos os meus sentidos se concentram num só: ouvir, ouvir melhor. Se calhar percebi mal.

À minha volta as pessoas estão caladas. Olhares incrédulos. Três adolescentes não sabem se devem soltar aqueles risinhos típicos da sua idade.

A mulher vira-se agora para o interior do autocarro (do outro lado do telemóvel (112???) devem ter desligado, incrédulos também).

"Vocês não viram? Viram e não disseram nada. Não pode ser. Ele tinha as pernas todas inchadas. Já deve ter contagiado o autocarro todo com ébola. Ó senhor motorista, você nem o devia ter deixado entrar. Ele tinha os dedos dos pés todos a cair."

Uma das adolescentes diz: "Ó minha senhora isso é lepra!"

Revolta encorajada pela intervenção da miúda, grito: "Olhe, eu estou com tosse e com febre. Acha que devo sair na próxima paragem!?"

A mulher olha-me. Olhar alienado. "Espere aí que eu já lhe respondo."

E fala novamente ao telemóvel. Desta vez com alguém conhecido. "Tens que ter cuidado. Isto é muito grave. Já ontem mataram o cão em Espanha. Vamos morrer todos." Desliga.

Insiste agressivamente com a mulher sentada à sua frente. "Você viu que ele tinha as pernas todas inchadas e não fez nada. Não pode ser!"

Mais uma vez falo. "O homem tinha as pernas ligadas. E mesmo que estivessem inchadas seria razão para o pôr fora do autocarro? Já agora puxar de uma pistola e matá-lo, não?"

Mais uma vez aquele olhar alienado. E sem qualquer resposta.

À minha volta abanam-se cabeças. Levam-se indicadores à testa.

 

Tive medo, tive muito medo.

De atitudes destas. Não do ébola.

                                                                                9 de Outubro de 2014

img-356852-ciencia-arrogante.png

 

 

 

 

sinto-me:

publicado por lindjona às 20:34

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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014

Carta aberta a um dux

"Ando aqui com esta merda entalada há já algum tempo. A ouvir as diferentes versões, a pensar nas dúvidas e a pôr-me no lugar das pessoas. Tento pôr-me no lugar dos pais dos teus colegas que morreram. Mas não quero. É um lugar que não quero nem imaginar. É um lugar que imagino ser escuro e vazio. Um vazio que nunca mais será preenchido. Nunca mais, Dux. Sabes o que é isso? Sabes o que é "nunca mais"?

A história que te recusas a contar cheira cada vez mais a merda, Dux. Primeiro não falavas porque estavas traumatizado e em choque por perderes os teus colegas. Até acreditei que estivesses. Agora parece que tens amnésia selectiva. É uma amnésia conveniente, Dux. Curiosamente, uma amnésia rara resultante de uma lesão cerebral de uma zona específica do cérebro. Sabias Dux? Se calhar não sabias. Resulta normalmente de um traumatismo crânio-encefálico. Portanto Dux, deves ter levado uma granda mocada na cabeça. Ou então andas a ver se isto passa. Mas isto não é uma simples dor de cabeça, Dux. Isto não vai lá com o tempo nem com uma aspirina. Já passou mais de 1 mês. Continuas calado. Mas os pais dos teus colegas têm todo o tempo do mundo para saber a verdade, Dux. E vão esperar e lutar e espremer e gritar até saberem. Porque tu não tens filhos, Dux. Não sabes do que um pai ou uma mãe é capaz de fazer por um filho. Até onde são capazes de ir. Até quando são capazes de esperar.

Vocês, Dux... Vocês e os vossos ridículos pactos de silêncio. Vocês e as vossas praxes da treta. Vocês e a mania que são uns mauzões. Que preparam as pessoas para a vida e para a realidade à base da humilhação, da violência e da tirania. Vou te ensinar uma coisa, Dux. Que se calhar já vai tarde. Mas o que prepara as pessoas para a vida é o amor, a fraternidade, a solidariedade e o civismo. O respeito. A dignidade humana e a auto-estima. Isso é que prepara as pessoas para a vida, Dux. Não é a destruí-las, Dux. É ao contrário. É a reforçá-las.

Transtorna-me saber que 6 colegas teus morreram, Dux. Também te deve transtornar a ti. Acredito. Mas devias ter pensado nisso antes. Tu que és o manda-chuva, e eles também, que possivelmente se deixaram ir na conversa. Tinham idade para saber mais. Meco à noite, no inverno, na maior ondulação dos últimos anos, com alerta vermelho para a costa portuguesa? Achavam mesmo que era sítio para se brincar às praxes, Dux? Ou para preparar as pessoas para a vida? Vocês são navy seals, Dux? Estavam a preparar-se para alguma missão na Síria? Enfim. Agora sê homenzinho, Dux. E fala. Vá. És tão dux para umas coisas e agora encolhes-te como um rato. Sabes o que significa dux, Dux? Significa líder em latim. Foste um líder, Dux, foste? Líderes não humilham colegas. Líderes não "empurram" colegas para a morte. Líderes lideram por exemplo. Dão o peito e a cara pelos colegas. Isso é um líder, Dux.

Não sei o que isto vai dar, Dux. Não sei até que ponto vai a tua responsabilidade nesta história toda. Mas a forma como a justiça actua neste país pequenino não faz vislumbrar grande justiça. És capaz de te safar de qualquer responsabilidade, qualquer que ela seja. Espero enganar-me. Vamos ver. O que eu sei é que os pais que perderam os filhos precisam de saber o que aconteceu. Precisam mesmo, Dux. É um direito que eles têm. É uma vontade que eles precisam. Negá-los disso, para mim já é um crime, Dux. Um crime contra a humanidade. Uma violação dos direitos humanos fundamentais. Só por isso Dux, já devias ser responsabilizado. É tortura, Dux. E a tortura é crime.

Sabes, quero me lembrar de ti para o resto da vida, Dux. Sabes porquê? Porque não quero que o meu filho cresça e se torne num dux. Quero que ele seja o oposto de ti. Quero que ele seja um líder e não um dux. Consegues pereceber o que digo, Dux? Quero que ele respeite todos e todas. Que ele lidere por exemplo. Que ele não humilhe ninguém. Que seja responsável. Que se chegue à frente sempre que tenha que assumir responsabilidades. Que seja corajoso e não um rato nem um cobardezinho. Que seja prudente e inteligente. E quero me lembrar também dos teus colegas que morreram. Porque não quero que o meu filho se deixe "mandar" e humilhar por duxezinhos como tu. Não quero que ele se acobarde nem se encolha perante nenhum duxezinho. Quero que ele saiba dizer "não" quando "não" é a resposta certa. Quando "não" pode salvar a sua dignidade, o seu orgulho ou até a sua vida. Quero que ele saiba dizer "basta" de cabeça erguida e peito cheio perante um duxezinho, um patrãozinho, um governozinho ou qualquer tirano mandão e inseguro que lhe apareça à frente. É isso que eu quero, Dux. Quem o vai preparar para a vida sou eu e a mãe dele, Dux. Não é nenhum dux nem nehuma comissão de praxes. Sabes porquê, Dux? Porque eu não quero um dia estar à espera de respostas de um cobarde com amnésia selectiva. Não quero nunca sentir o vazio dos pais dos teus colegas. Porque quero abraçar o meu filho todos os dias da minha vida até eu morrer, Dux. Percebeste? Até EU morrer. EU, Dux. Não ele."

http://pesnosofa.blogspot.pt/2014/01/carta-aberta-dux.html

Não fui eu que escrevi, mas podia ter sido.
Por isso quis ficar com este excelente texto no meu blogue.

publicado por lindjona às 15:01

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Domingo, 19 de Janeiro de 2014

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"Para este governo, ciência só presta se as empresas o determinarem. Para este governo, ciências humanas não são ciências, são passatempos."

 

Esta frase de Bernardo Pires de Lima (18/1/2014) é lapidarmente aterradora.

 

Por momentos preferia não perceber/saber/ler, ficar na doce ignorância, como a nêspera.

 

Ou então como a ceifeira.

 

Ou como o gato.

 

 

sinto-me:

publicado por lindjona às 13:13

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Sábado, 11 de Janeiro de 2014

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Não escrevo aqui há mais de quatro meses.
Logo neste ano de 2014 em que o meu blogue faz dez anos.
Dez anos! Parece que foi ontem que descobri que podia escrever "coisas" sobre tudo o que quisesse e depois as pessoas (pelo menos algumas) podiam ler e comentar.
Foi no ano em que foi criado o Facebook que só chegou até nós uns anitos depois.
Não é para me gabar, mas poucas pessoas tinham blogues em 2004.
Sempre gostei de escrever. Mas escrever e poder dar a ler o que escrevi, ainda que a poucos, é uma situação que adoro. E depois analisar as reações das pessoas aos meus escritos é qualquer coisa que me deixa bem.
Gosto da troca de ideias, saudável claro. Mas às vezes também um pouco agressiva.
Gosto de provocar os espíritos abertos, inteligentes.
Gosto de ser provocada por eles. Mas sobretudo sinto, muitas vezes, a necessidade imperiosa de "dizer" o que penso sobre o que se passa à minha volta, na minha vida.
Há períodos em que essa necessidade fica um pouco adormecida. Pelas mais variadas razões.
Olhando para os posts, ao longo destes dez anos, penso que nunca estive tanto tempo sem aqui vir escrever qualquer coisa. Quatro meses!
A culpa é do facebook, espécie de blogue muito mais "em cima do momento", onde se tem uma reação mais imediata em relação ao que se publica.
E eu gosto disso.

sinto-me:

publicado por lindjona às 01:11

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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

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Faz hoje 50 anos o outro discurso, o do " I have a dream".
Mas este faz hoje muito mais sentido, todo o sentido. Basta trocar Vietnam por Síria.
São 42 minutos. Mas vale a pena ouvir.
sinto-me:

publicado por lindjona às 21:19

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Sábado, 3 de Agosto de 2013

Vou ali dar um swap....

Pois é. Afinal quase todos os portugueses têm um 'bichinho'" destes em casa. Todos os que têm um crédito à habitação com prestação fixa. Ou seja, o banco ao qual pediram o crédito fez-lhes a seguinte proposta: mediante uma determinada taxa que lhe vai aumentar a prestação esta será fixa, independentemente das alterações das taxas de juro. Portanto você vai ter uma prestação um pouco mais alta, mas em contrapartida ela não aumentará se as taxas de juro aumentarem.
O banco ganha balúrdios.
Nós somos enganados. Oficialmente enganados. Enganados com o nosso consentimento. Todos sabem que as casas que compraram acabam por custar o dobro ou o triplo do seu valor real.
Isto é um swap.

Posto isto, quero agora fazer uma breve reflexão sobre os "outros" swaps. Os verdadeiros. Aqueles que não são simples bichinhos que temos em casa, mas sim autênticas bestas que tudo destroem e engolem à sua passagem.
Independentemente de existirem bons e maus banqueiros, bons e maus gestores, bons e maus políticos, a pergunta que se coloca é: a responsabilidade mãe, a responsabilidade primeira pela existência destas manigâncias financeiras é de quem? Da banca. Dessa banca que desde os anos 80 anda completamente à solta, sem travão. Dessa banca que nenhum governo conseguiu ainda travar ( e se algumas vozes houve dentro desses governos que o tentaram fazer foram de imediato silenciadas ).
Essa banca que é o vizinho rico que empresta dinheiro a todos, cobrando 10% de juros e que um dia, cego pela ganância, triplica o valor dos juros levando todo o bairro à falência e hipotecando as gerações futuras.

E pronto.
Fui eu a escrever sobre swaps.
sinto-me:

publicado por lindjona às 00:48

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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013

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Aos costumes, a múmia foi à televisão e pariu um NIM.
Puxou as orelhas à dupla prima donna/suburbano e deitou por terra o desejo da esquerda (essa malandragem com a mania da democracia) de realizar eleições antecipadas já.
Aproveitou para acagaçar mais um pouco este povinho já de si acagaçado. Que não pode ser, eleições agora seria uma desgraça para o país e para as famílias.
Pelo caminho também conseguiu "lavar as mãozinhas" desta trapalhada toda, atitude para a qual sempre teve muito jeito. Vá lá, sejam amiguinhos e desenrasquem esta merda, que eu não tenho nada a ver com isto.
Resultado: se a situação era má , agora ficou pior.
Esta múmia fez-me lembrar o Atílio da banheira, da telenovela O Casarão, que passava o tempo a mexer e remexer a merda que tinha na banheira na esperança que esta se transformasse em ouro.

ps: e a prima donna, coitada, o que vai fazer ao vestidinho de lycra?

sinto-me:

publicado por lindjona às 17:57

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Quarta-feira, 3 de Julho de 2013

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Portanto, estamos nas mãos de dois badamecos.

Um deles, de todos sobejamente conhecido, destaca-se pelo doutoramento no diz que disse venenoso tirado nos corredores do Independente. Enveredou depois pela política, não olhando a meios para atingir os fins. Capaz de apunhalar a própria mãe (coitada da senhora), esta prima donna que não vive sem o calor e a luz dos holofotes, fez (ou faz, já não percebo nada) parte do actual (ou já não é actual?) governo. Com plano engendrado a frio desde o início, passou o primeiro ano a estoirar milhas, como se a pasta do Ministério dos Negócios Estrangeiros fosse uma agência de viagens. A partir do segundo ano, começou a demarcar-se do governo, acabando por dar o golpe final (terá sido final?) ontem. À hora em que a Albuquerque tomava posse. Tudo pensado e repensado.

O outro é um empresário da noite ou do dia. Tanto faz. De política sabe o que aprendeu na jotinha: colar cartazes e fazer telefonemas com o amigalhaço Relvas. Arranja-me aí umas influências. Arranja-me aí umas licenciaturas. Arranja-me aí umas "gaijas". Estava, para grande desgraça deste povo, no lugar errado, à hora errada. Ou seja, há dois anos estava prontinho para ser primeiro ministro. Com a preciosa ajuda do povinho, construiu uma personagem: o herói que veio salvar todo um país das garras desse malandro que se chama José Sócrates. E hoje, passados dois anos, continua colado a esta personagem. Com o discurso patético-confrangedor de ontem, mostrou que se julga, ainda, o herói/salvador da pátria.

Salvar-nos de quê?

Salvar-nos de quem?

Salvar, ponto final.

 

Alguém que nos salve dele(s).

 

sinto-me:

publicado por lindjona às 17:08

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Domingo, 26 de Maio de 2013

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 Então é assim: só ontem vi e ouvi. Por várias razões não me dei ao trabalho de ver o video do Martim.

Ontem, quando via o Governo Sombra, RAP e João Miguel Tavares fizeram uma dramatização óptima do diálogo entre Martim Neves e Raquel Varela. Foi óptima a dramatização. E a prova é que fiquei logo "doente". Fui então ao youtube ver o célebre video. Confere. Irritação maior ainda. Não em relação ao Martim, que me parece ser um rapaz activo, desembaraçado, criativo, com uma auto estima bem acima da média para um adolescente. Um adolescente que, como referiu também RAP, teve a sorte de ter uns pais que puderam ajudá-lo monetariamente a por o seu sonho em marcha. E puderam porque, seguramente, não ganham o salário mínimo. E ainda bem.

 A minha irritação, desilusão e sei lá mais o quê foi toda para as pessoas que se manifestaram acerca deste video (sim, que eu depois dei-me ao trabalho de ir pesquisar um pouquinho). E deparei-me com frases do género: boa Martim, dá-lhe rapaz e outras pérolas. A própria comunicação social tinha títulos como: rapaz de 16 anos destrói doutaramento de Raquel Varela, jovem de 16 anos humilha Raquel Varela e por aí fora.

Estas reacções mostram e confirmam a falta de formação /informação de muitos portugueses, que logo ali viram o rapazinho simples vencer o duelo com a "dótora" arrogante. Uau! Palmas! Não viram, nem perceberam, que, em último caso, a "dótora" estava ...... pasme-se a defendê-los enquanto trabalhadores.

O acidente que aconteceu há semanas numa fábrica do Bangladesh e que causou centenas de mortos veio confirmar aquilo que se sabe há muito tempo: para comprarmos roupa a preços baixos, há pessoas que vivem e trabalham em condições miseráveis. Pessoas que são escravizadas. Pessoas que ganham salários vergonhosos por dias e dias seguidos de trabalho. Pessoas que são exploradas desde que nascem até que morrem. É melhor isto do que estar desempregado? NÃO, NÃO É.

Martim Neves tem 16 anos e uma vida inteira à sua frente para perceber que existem umas "coisitas" muito importantes, sem as quais o ser humano não vive: dignidade, direitos, liberdade. As pessoas que ficaram radiantes com a resposta do rapaz não perceberam e temo que nunca venham a perceber. Pegando nas palavras de RAP, estas pessoas encarnam "o sonho do pensamento rústico-liberal: a verdade na boca da criança, o menino que faz ver à doutora, o bom senso prático a superiorizar-se ao saber académico." Este pensamento explica, em grande parte, a razão do actual governo continuar de pé, como explicou durante décadas a existência do salazarismo.

Cada povo tem o que merece.

  Por mim, desejo o melhor para o negócio do Martim.

 Com a Raquel Varela partilho, seguramente, o peso da consciência de comprar e utilizar produtos feitos à custa do sofrimento de milhares de pessoas. Mas isso não me retira o pensamento crítico.

 

 

sinto-me:

publicado por lindjona às 12:43

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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Quando o nosso maior inimigo está.....em nós mesmos

Esta imagem circula nas redes sociais deixando no ar a pergunta: qual a diferença?

A resposta é muito fácil: a diferença é que José Mourinho é um profissional excelente e Jorge Jesus é um profissional mediano.

 

( e o texto deveria acabar aqui, segundo o sábio conselho de alguns amigos, hoje ao almoço, em frente ao cozido. Que este assunto não é para mim, que é baixo demais para uma pessoa como eu perder tempo com ele. Deveria, isso sim, preocupar-me com o facto de dar por mim a reflectir sobre isto e, quiçá, escrever mesmo um texto sobre essa preocupação. Não resisti. Mandei o conselho às urtigas)

 

Vou confessar uma coisa: tenho de Jorge Jesus uma ideia que até nem é muito má. Parece-me ser uma pessoa simples e humilde e, como treinador, acredito que ocuparia um outro patamar, caso a equipa que treina não fosse o SLB (como aliás aconteceu com todos os treinadores que ocuparam o mesmo lugar. Até o Special One passou por lá....e?...).

Porque, afinal, o que "estraga" o SLB são os adeptos. Coisa complicada. Afinal os adeptos são uma peça fulcral na engrenagem de qualquer clube desportivo.

O adepto do SLB sofre de um trauma, de uma síndrome e de uma deficiência. Respectivamente: o trauma do Pinto da Costa/FCP, a síndrome do filho único que um dia tem um irmão e a cegueira. A coisa complica-se porque a última não o deixa ver/reconhecer os outros dois. É, pois, quase impossível resolver esta situação que vem passando de pais para filhos.

O SLB foi, durante muitos anos, praticamente o único clube português com relevância, tanto em Portugal como no estrangeiro. Coexistia com o SCP que, também por isso, deveria ser mais respeitado pelos adeptos do benfica. Para além destes dois existia um outro clube que, apesar de ser mais antigo, dava pouco nas vistas. Em 1981, Jorge Nuno Pinto da Costa viria alterar esta situação. O FCP (clube de bairro como ainda hoje lhe chamam de forma depreciativa, os benfiquistas) passa a estar à altura do SLB e rapidamente o ultrapassa em todas as modalidades. Nasce aqui a síndrome do filho único que vê o seu lugar ocupado por um "irmãozinho". Nasce também o trauma Pinto da Costa. Este passa a simbolizar todos os demónios que assombram a noite benfiquista.

A partir daqui , grande parte das energias benfiquistas são canalizadas, ou para dizer mal do FCP e do seu presidente, ou para se vitimizarem (são sempre roubados e nunca jogam só contra uma equipa), ou para gritarem aos quatro ventos que são o maior clube do país e um dos melhores do mundo (grito típico daqueles que já foram, um dia,  estrela única no firmamento desportivo).

Ou seja, o adepto do SLB não sabe perder, mas também não sabe ganhar. Se perde é porque foi roubado, se ganha (ou mesmo antes de ganhar) logo se coloca numa situação de superioridade, arrogando-se o maior de Portugal e do mundo e escarnecendo os outros clubes (veja-se o que aconteceu durante esta época com o SCP). Vai flutuando numa espécie de limbo, assim entre a histeria do glorioso e a crença nas papoilas saltitantes, que, afinal, não passam de ervas daninhas que tudo secam à sua volta.

A manter-se assim, continuará a não chegar longe, porque não canaliza as suas energias para onde realmente deveriam ser canalizadas: os sucessos do seu clube. Tudo isto se torna pior, porque este comportamento disfuncional se alarga de forma contaminatória aos presidentes, aos treinadores e aos próprios jogadores.

O resultado está à vista.

 

ps: há outra diferença nesta foto. José Mourinho é bonito e charmoso. Jorge Jesus é feio e boçal. Por isso, o  

     primeiro pode cair de joelhos, de bruços, de cara no chão que sempre ficará bem "na foto"; o segundo não.

     Mas esta diferença só eu, que sou fútil, é que consigo ver. 

 

sinto-me:

publicado por lindjona às 23:35

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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

De bestas a bestiais ou de como a teoria do Relvas até poderá fazer sentido

E na última semana de Março de 2013, algumas bestas começam a passar a bestiais.

Vou direta ao assunto. Tenho lido e ouvido, nesta  última semana, algumas prosas que vêm agora branquear elementos deste (des)governo.

Vou só dar três exemplos: Henrique Monteito, no Expresso, sai em defesa do Álvaro.

José Gomes Ferreira, um homem simples com soluções simples para todos os problemas do país e do mundo, o homem que diz sem papas na língua esta brilhante frase "A troika é ingénua, e o governo também" (José és o nosso salvador!), este homem vem também defender o Álvaro e, pasme-se, António Borges.

Vítor Bento considera que Vítor Gaspar só tem um senão: dificuldades de comunicação.

E pronto! É isto.

Não vai faltar muito para que alguém venha "limpar" o Relvas.

O povinho, esse, vai "cair que nem um patinho" e também já não há de faltar muito para o ouvirmos dizer: ah e tal, afinal o homem até nem  é tão mau como parecia. Aos costumes, perante o facto consumado e cada vez com menos forças para resistir e lutar (será que alguma vez o fez realmente?), o povinho deixa-se ficar, inerte, numa apatia agonizante.

O efeito Sócrates já começou a dar resultados?

Afinal, antes estes do que o Sócrates, vade retro satana.

 

 

E se o povinho, de repente, lhe dá para achar que, afinal, o Sócrates não era assim tão mau como parecia?

 

Nota: acrescente-se a este branqueamento, o argumento estafado do ah e tal o homem até quer fazer alguma coisa, mas os lobbies instalados não deixam e está completa a receita para o "rejuvenescimento" de um governo moribundo.

Entretanto os lobbies instalados vão continuar....isso mesmo: instalados. Como sempre.

 

sinto-me:

publicado por lindjona às 13:55

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Sábado, 23 de Março de 2013

....e porque ontem foi dia da poesia e o Sócrates vai ser comentador na RTP.....

NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

 

Fernando Pessoa, Mensagem



sinto-me:

publicado por lindjona às 00:30

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Segunda-feira, 11 de Março de 2013

...

No prefácio do livro Roteiros VII,  que reúne as intervenções do chefe de Estado proferidas ao longo do último ano (que é como quem diz os dislates que o "senhor alemão" lhe vai permitindo dizer), Cavaco Silva diz: O Presidente (o que eu gosto de pessoas que falam de si mesmas na 3ªpessoa) deve actuar de forma ponderada e sensata, com equilíbrio e racionalidade, estudando os novos e complexos dossiês que emergem do programa de emergência financeira. Não pode deixar-se arrastar por pulsões emocionais ou afectar pelas tensões que sempre emergem nos tempos de crise.

 

Ou seja, o nosso coiso da República é um epicurista que põe em prática, todos os dias, a ataraxia.

Tal como Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, o nosso bacalhau seco pratica uma filosofia de vida através da qual pretende atingir a felicidade de forma tranquila e sem perturbações, desfrutando dos prazeres sempre com moderação. É uma forma passiva de viver a vida, ou melhor, de ficar a ver a vida passar.

Sugiro, para melhor compreensão desta humilde teoria, que substituam a palavra Lídia, pela palavra Maria, no célebre poema de Ricardo Reis, Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

 

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

Nota: devo referir que esta situação não se aplica ao caso BPN.

 

sinto-me:

publicado por lindjona às 18:49

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