PERGUNTAR NÃO OFENDE...
Alguém me saberá explicar a razão pela qual os militantes do PSD e do CDS-PP iniciam quase todas as frases por ouça, veja, olhe?
Ainda hoje, a propósito da eleição de Luís Filipe Menezes, a jornalista perguntava:
- Acha que o novo presidente fará uma oposição mais séria ao governo de José Sócrates?
E a senhora, uma das apoiantes da candidatura de Menezes (não me lembro do nome), respondia:
- Ouça, Luís Filipe Menezes ...blá, blá, blá....
E foi a entrevista toda assim.
Não percebo.
Alguém me explica?
Depois foi Nuno Melo. Ao telefone começou a resposta por...... veja....
Será fino, sei lá?
Parecem uns polícias sinaleiros dos sentidos: ouça, veja, olhe.... Páre, escute, olhe...
Estão sempre com receio de não ser escutados. Por isso imploram, no início de cada frase, que oiçam as suas palavras e - pasme-se - que os vejam. Que falta de segurança, meninos!
É assim que querem fazer oposição séria a um governo que tem ao leme um homem que começa quase todas as frases por deixe-me dizer-lhe?
Assim não vão lá, meninos!
Reparem na diferença: deixe-me dizer-lhe denota uma delicadeza que poucos possuem. Mas ao mesmo tempo um grau de auto-estima e segurança com que só alguns são bafejados.
